11 de abril de 2010

A casa da rua Itápolis

Podemos dizer que Gregori Warchavchik foi um dos pioneiros da arquitetura moderna no Brasil. Nascido em Odessa (Ucrânia) e formado em Roma, veio ao Brasil em 1923. Inspirado nas idéias de Le Corbusier, publicou, em 1925, o manifesto Acerca da Arquitetura Moderna, que até hoje é referência para a história da arquitetura moderna brasileira. Nesse texto, combatia o ecletismo acadêmico e lançava as bases dos novos conceitos do "racionalismo técnico-construtivo". A chamada primeira casa modernista do Brasil é aquela que projetou e construíu (nos anos de 1927 e 1928) para si, na rua Santa Cruz, em São Paulo.

A casa na rua Itápolis, também foi construída sob os "princípios modernistas". Não tinha um cliente específico, a casa foi feita para ser alugada. Mas foi lá que aconteceu, em 1930, a Exposição de uma casa modernista, um evento de grande repercussão na época e que divulgou a produção de vários artistas contemporâneos, como Tarsila do Amaral. A casa, para a época, era bastante racional - por exemplo, era comum construir ante-salas, halls, que introduziam as pessoas aos poucos a certos cômodos, isso não existe nessa casa. Além dessa racionalidade dos espaços, a casa tem uma estética cubista, com volumes assimétricos e puros, pintados de branco. O paisagismo é feito com plantas tipicamente tropicais, reafirmando os princípios do modernismo brasileiro. Os móveis da casa também tinham um desenho moderno, a maioria deles desenhados pelo próprio arquiteto.

Durante algum tempo, Warchavchik foi discriminado pelos críticos e historiadores que diziam que a casa só pretendia ser moderna e não era de verdade. Se baseavam no fato de que um dos princípios de Le Corbusier para uma construção moderna era a laje plana, sem telhado. A casa de Warchavchik tem telhado. Ele está escondido atrás da platibanda, para dar a impressão do volume fechado (que seria adquirido pelo uso da laje). Foi muito criticado por causa disso. Mas isso só aconteceu porque naquela época, a indústria brasileira era praticamente inexistente. Uma laje de concreto era caríssima e faltava mão-de-obra especializada. Então, ele teve que fazer algumas concessões, certo? Mesmo assim, é interessante comparar essa casa com a Villa Savoye, de Le Corbusier, que é de 1929 (um ano antes da casa da rua Itápolis).

O interessante é observar o entorno. A casa, mesmo sendo mais antiga do que aquelas ao seu lado, é muito diferente! Ainda hoje, se destaca, é fora do padrão. Sim, é datada, mas ninguém pode dizer que é um lugar comum!
A visita valeu super a pena. Fiquei mega feliz de ver ao vivo a obra que só tinha visto em fotos.

4 comentários:

Juliana Reis disse...

O texto está ótimo!!!!
parabéns!
bj

Dedé disse...

:)
Obrigada Ju!

Nara Paiva disse...

Ahh eu queria tanto ir la!
Adorei o texto Débora!
Bjs

Dedé disse...

Valeu Nara!
Bjs