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5 de janeiro de 2014

A era de Elizabeth I

Diz a lenda que o que você faz no primeiro dia do ano é o que você vai fazer o resto do ano. Então, a gente sempre tenta ir a um museu ou galeria no 1 de janeiro. Virou nossa pequena tradição :)

Esse ano, resolvemos ir à National Portrait Gallery, ver a exposição Elizabeth I and Her People, que reúne retratos da rainha, mas também de seu público, assim como objetos do dia-a-dia da era elizabetana. 

Elizabeth I reinou por 45 anos (1558 - 1603) e esses anos foram de um empreendedorismo extraordinário. Novas oportunidades para a criatividade e a geração de riquezas nesse período deram início à chamada classe média. As mudanças ocorridas neste momento, moldaram o futuro da Inglaterra e do País de Gales. A Igreja da Inglaterra se estabeleceu e ao longo do tempo, grande parte do país abraçou a fé protestante. O mundo estava se expandindo através da exploração marítima e comércio, cidades cresceram em tamanho e população e a economia floresceu. 

A exposição explora a história dos nobres e aristocratas, mas também de outras pessoas talentosas, como exploradores, soldados, comerciantes, artistas e escritores. Um desses talentos me chamou a atenção: Esther Inglis, uma francesa que se mudou ainda bebê com a família pra a Escócia. Ela aprendeu caligrafia com sua mãe e entre seus patronos estão a própria rainha Elizabeth I e seus ministros. Eu achei sua obra fantástica e atingir tal perfeição com uma caneta de pena é algo extraordinário para mim. Infelizmente a exposição é até hoje apenas, mas no site da National Portrait Gallery, você pode assistir alguns vídeos que explicam um pouco da exibição e são uma aula de história (em inglês).

Esther Inglis, fonte Wikipedia

18 de junho de 2013

52 objetos - no. 38


Objeto no. 38 - Livro 
Onde está - naquela estante no escritório da casa dos meus pais
Quantidade - 1
Escolhido porque - Eu ganhei esse livro de um casal de amigos muito queridos de Londres. Quando eu vim embora em 2009, depois de ter passado 6 meses em Londres fazendo cursos de história da arte, eu fiz uma pequena reunião com os amigos que tinha feito nesse tempo pra me despedir. Foi super legal que todo mundo foi e esse casal de amigos me deu esse livro!!! Ele é um guia visual de 2500 pinturas e esculturas mais influentes, desde pinturas em cavernas até as obras-primas modernas. As obras são apresentadas de maneira cronológica e contém uma pequena descrição do contexto, artista, etc. Definitivamente, um guia maravilhoso que eu preciso levar pra Londres! 

26 de fevereiro de 2013

52 objetos - no. 26


Objeto no. 26 - duas aquarelas
Onde está - na parede da sala, perto do piano
Quantidade - 2
Escolhido porque - Quando eu vim pra Londres em 2009 estudar, depois que meus cursos acabaram, eu fiz uma pequena viagem pela Europa. Como já fazia uns meses que eu estava namorando, meu (agora) noivo foi comigo. Foi a nossa primeira viagem romântica juntos :) Fomos pra Roma, Florença e Viena. Essas duas aquarelas eu comprei em Florença e retratam a cidade (uma é da Catedral St. Maria del Fiore - o Duomo e a outra é da Ponte Vecchio). Visitamos a Galeria Uffizi e na saída, começamos a andar em direção à ponte Vecchio e, no caminho, tinham vários artistas de rua. O trabalho dessa moça me encantou: gostei das cores que ela usava. Eles ficaram sem moldura por um bom tempo (até final do ano passado), até que resolvi ir até a John Lewis e comprar essas molduras - que na verdade são porta retratos... hehe Mas eu queria pendurar esses quadrinhos na nossa casa! Eles são carregados de boas lembranças!

1 de fevereiro de 2013

Manet na Royal Academy

Sábado passado fui à exposição do Manet na Royal Academy. Não tenho pretensão nenhuma de fazer uma critic review aqui, hein? Só queria deixar as impressões que eu tive!

Manet é considerado o pai da arte moderna. Na verdade, o Musée D'Orsay vai ainda mais longe e o define como "O homem que inventou a Arte Moderna". Reproduzindo as cenas cotidianas da vida parisiense, foi muito criticado e ridicularizado em sua época, mas é justamente por isso que é tão celebrado hoje. O título da exposição é: Manet, Portraying Life - que é um aspecto pouco explorado em exibições na Inglaterra e traz ao mesmo tempo, o retrato de um lado e as cenas da vida contemporânea do outro. Ele põe as pessoas retratadas como atores em suas telas e, algumas vezes, seus "objetos" estão até de costas, ou olhando pra outro lado, o que foi novidade na época.
Suas pinceladas bruscas e rápidas tem bastante a ver com o Impressionismo, mas a impressão que eu tive é que os quadros estavam sempre inacabados. Nem por isso é menos bonito ou tocante. Um dos quadros que me chamou mais atenção foi o de Berthe Morisot de luto. Principalmente quando você vê dois retratos dela juntos: o "normal" e o dela sofrendo pela perda do pai. É tão triste, mas tão bonito, é poesia. E eu paro por aqui, na minha breve descrição da exposição. Acho que as imagens falam mais...


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31 de dezembro de 2012

52 objetos - no. 18


Objeto no. 18 - poster do quadro Drowning Girl do Roy Lichtenstein
Onde está - No meu quarto (Brasil)
Quantidade - 1
Escolhido porque - Na minha primeira viagem a Nova York, aos 18 anos, eu vi esse quadro ao vivo no MoMA e me apaixonei pela Pop Art. A técnica e a temática das telas de Lichtenstein falaram comigo como nenhum outro artista pop conseguiu (nem mesmo Andy Warhol). Para quem não conhece a obra dele, ele usa uma técnica que imita a impressão dos quadrinhos, o desenho é formado por inúmeros pontinhos e não por linhas e piceladas contínuas. Eu fiquei tão impressionada com aquilo, que Roy ganhou um lugar no meu coração pra sempre :). Além disso, a frase que a menina fala: "I rather sink... than call Brad for help!" (algo como: eu prefiro afundar do que pedir ajuda ao Brad), é tão forte! Na minha cabeça, a história já tinha se formado e Brad tinha feito algo muito errado e não merecia nem um tantinho de atenção da pobre moça! hehe - girl power! :)

4 de setembro de 2012

52 Objetos - no. 1

Então que a Helô achou esse blog aqui, começou a ler e se deparou com um projeto que a autora criou: 52 objetos. Funciona assim: durante um ano, cada semana, ela posta a foto e conta um pouco da história de um(uns) objeto(s) que tem importância pra ela. Você pode ler o primeiro post aqui. Mas a Helô traduziu a explicação e eu vou roubar :)
"Daqui a muitos anos alguém encontra uma caixa cheia de coisas que pertenceram a você e tenta formular a sua história, descobrir que tipo de pessoa você era. Talvez essa caixa tenha fotos, livros, documentos pessoais, roupas ou até mesmo uma embalagem de chiclete. O que esses objetos dizem sobre você? Eles contariam uma história precisa da sua vida? Que história seria essa?"
O legal é que muitas leitoras da Helô (eu inclusive) se empolgaram e estão fazendo também! Depois temos que fazer uma lista! Se vc está fazendo, deixa um comentário!


Objeto no. 1 - Quadro do artista Daniel Castan (óleo sobre tela)
Onde está - Na parede da sala
Quantidade - só 1 (por enquanto hihihi)
Escolhido porque - Essa é a primeira obra de arte original que eu posso chamar de minha. Foi presente de Natal do meu namorado. Eu sempre quis ter obras originais e quando vi exposta numa galeria perto de Bond Street, me apaixonei, mesmo sem nunca ter ouvido falar no artista! As pinceladas fortes e grossas, quase violentas, me lembram Van Gogh. A quantidade de tinta usada é fenomenal, dá uma profundidade e uma textura inegualáveis. 

19 de janeiro de 2012

A minha veia decoradora

Uma das artes decorativas que eu mais gosto eh o Art Nouveau. Eu gosto do ferro trabalhado (usado para decorar desde estacoes de trem ate suporte para a cobertura de vidro), dos vitrais e dos posters. Com motivos inspirados na natureza, suas linhas sao organicas, fluidas e delicadas. Outro dia, vi no Telegraph uma materia com os posters antigos do metro e nao sei porque, lembrei dessa epoca... os posters, na verdade, acho que nao tem nada a ver com o Art Nouveau, mas enfim. Fiquei pensando que definitivamente quero decorar alguma parede em casa com quadrinhos de posters com motivos art nouveau. Podem nem ser posters grandes, que sejam cartoes postais, mas eu acho que ia ficar bem legal. Sera que uma viagem a Paris esta em demanda?? :)

28 de novembro de 2011

Arte

Esse post eh bem atrasado. Na verdade, eu devia te-lo escrito no lugar do post garota enxaqueca abaixo, mas tem hora que voce precisa falar umas coisas! Minha mae, a brasileira mais italiana que eu conheco, ja dizia: "nao guarde as coisas, desembuxa! Quem guarda morre de ataque do coracao!" haha
Enfim... esse post eh sobre um evento que eu fui na sexta-feira retrasada numa galeria de arte perto de Bond Street. A historia eh a seguinte: namorado e eu estavamos passeando por aquela regiao no fim de semana anterior e vimos na vitrine da galeria, uma tela que nos chamou muito a atencao. As cores vibrantes, as pinceladas ricas de tinta e a paisagem urbana me cativaram e nos resolvemos entrar para dar uma olhada. La dentro, a moca nos explicou que o artista estaria na galeria no fim de semana seguinte, conversando com o publico e pintando ali, na hora, uma tela. Deixei meu email e eles me mandaram um convite para a sexta, que seria tipo o lancamento desses eventos. E nos fomos na sexta, conhecer o artista e admirar mais a sua obra. Foi muito legal, apesar de nao ter comprado nada :(
Descobri tambem que a galeria faz parte de uma rede, com base na Franca. O esquema eh bem legal: todas as telas ja tem um tamanho pre determinado e a menor, de 10 x 10 cm, custa apenas £59. Nem precisa falar que eu ja pedi, na maior cara dura, de presente de Natal pro Papai Noel namorado :))))

A galeria se chama Carré d'artistes (voce pode ate comprar online, olha que moderno :)) e o artista, Daniel Castan. Se voce pesquisar no google, tem varias fotos das obras, mas nao fazem a menor justica 'a realidade!
Ah! Castan eh frances, designer grafico e morou muitos anos em Nova York. As telas expostas na galeria eram de cenas urbanas dessa cidade. Ele pinta tudo de memoria :0! Eu achei o maximo e nunca desejei tanto ter uns £2000 sobrando pra levar uma tela grande pra casa :) - oh, um dia! :)

14 de setembro de 2011

Construindo referências para meu mundo interior

Por Eugenio Foresti*

Toda obra (de arte ou não) nasce de uma abstração, baseada nas referências adquiridas ao longo da vida, ou talvez herdadas, impressas no nosso DNA.
Quando adquiridas ao longo da vida, resulta do que vimos, lemos, ouvimos, tateamos, sentimos o cheiro e o sabor. Todas as sensações registradas em nossa mente criaram e continuam a criar nossas referências.
Ao nos depararmos com um castelo medieval, uma igreja gótica, um edifício, uma pintura renascentista, uma escultura, uma fotografia, uma comida exótica, uma fragrância, uma poesia, uma cafeteria na rua, e tudo o mais que nos é exposto, nossa “excitação” talvez tenha pouco a ver com a abstração original do criador. Tem muito a ver com nossas referências.
Muitas das nossas referências sobre algumas obras e artistas são solidamente construídas, porque já vimos muitas vezes imagens semelhantes, já lemos e ouvimos tanto sobre aquele tipo de obra ou artista. Não é incomum, para mim, ser relativamente pequeno o grau de excitação que algumas obras me provocam.  Muitas vezes, o grau de excitação é baixo se comparado, na minha escala interior, com a importância que outros e eu mesmo atribuímos à obra e ao artista.
Outras vezes, nossas referências são refeitas a partir de uma constatação ou aprendizado mais profundo. Isso ocorreu comigo várias vezes. Por exemplo, admirador da arte de Van Gogh desde meus primeiros anos de curso de engenharia, quando recortava e colecionava as figuras de pinturas que encontrava em revistas, eu mudei minhas referências sobre a arte “vangoghiana” quando vi, pela primeira vez, suas pinturas em Amsterdam, no “Van Gogh Centenary Exhibition”, em 2000. As tintas se projetando para fora da tela me surpreenderam e provocaram aquela sensação de encantamento difícil de explicar. Outro exemplo de mudança radical de referência, essa relacionada a um ensinamento, ocorreu com a obra de Rembrandt. Eu visitava, quase que por acaso, uma exposição de xilogravuras desse artista em Brasília e, lendo o catálogo da exposição, pude aprender sobre a importância da luz na obra de Rembrandt. Bastou essa informação, naquele momento, para que minhas referências em relação a ele fossem modificadas. Provavelmente, eu mesmo já havia lido sobre isso anteriormente. Mas, o aprendizado só foi possível naquele momento.
Uma viagem a outro país, ou a outro lugar no nosso país, pode mudar algumas de nossas referências. Uma viagem à Europa certamente enriquecerá nosso universo interior e adicionará ou recriará nossas referências culturais. Novamente, algumas imagens que registrei em minha mente e minha câmera fotográfica vão me valer apenas como registro. São imagens de referências já consolidadas. Para trazer para dentro de mim algo novo, uma nova excitação e não apenas a satisfação de estar ali, vendo com os próprios olhos um reforço de referências já consolidadas,  eu tento buscar o inesperado.
Para isso, foi imprescindível eu ter, à disposição, a janela de uma câmara fotográfica, que direcionou meu olhar seletivo para alguns detalhes e os registrou.
De todas as imagens que gravei com minha câmera, algumas me surpreendem até hoje. Não há como explicar essa sensação; sente-se ou não se sente.
A primeira foi feita no interior da galeria La Fayette, em Berlim. A galeria tem vários andares e na área central, há uma abertura que perpassa todos os andares, em forma de um imenso cone de parede de vidro. O efeito visual por si só é lindo; mas considero a foto surpreendente para os meus parcos dons de fotógrafo.

A segunda é a fachada de um edifício na Oxford Street, Londres. É como um imenso painel a partir do primeiro andar.  Considerei que os arquitetos erraram na fachada do térreo, que não valoriza o que está acima. Recortei a foto na janela de minha câmera para obter só o efeito que desejava.


A terceira é um painel em uma parede interna do Shoping Center em Londres, toda construída em troncos de primas espelhados.


A quarta é um recorte do edifício, com contornos retos e curvos e um céu azul com nuvens ao fundo.


Se eu fosse um pintor, gostaria de colocar, em pinturas, minha abstração a partir dessas imagens.

*Eugenio é engenheiro civil, professor universitário, com alma de artista e meu pai (pros desavisados). No tempo livre, faz desenhos abstratos em papel sulfite com grafite (e um dia eu ainda monto uma exposição deles :)).







22 de julho de 2011

Lucian Freud

Morreu nessa quarta-feira que passou o artista Lucian Freud, um dos principais artistas plasticos do seculo XX. Suas pinturas realistas retratavam o que todo mundo procura esconder (aquela banhinha saltitante, a ruga perto do olho...). Eu nao sabia, mas ele pintou a um retrato da modelo Kate Moss gravida. A obra se chama Naked Portrait 2002. Outro fato que eu nao sabia eh que ele era neto de Sigmund Freud, nasceu em Berlim (1922), mas foi forcado a se mudar, com sua familia judia e se tornou cidadao britanico em 1939.
Eu nao sou muito fa de Freud (o pintor, hehe), mas nao posso descartar sua importancia para as artes plasticas no seculo XX. Para mais informacoes, em ingles, clique aqui. 

Lucian Freud: Self Portrait, Reflection (2002) daqui

6 de maio de 2011

Uma imagem

(teclado desconfigurado, desculpem)


Assim, nao tenho nada pra falar... A vida esta super corrida - bastante trabalho e fim de semana passado foi feriado de 4 dias e eu nao descansei! Tive compromissos todos os dias! Aff... nada muito diferente, so encontros de familia mesmo. Entao esse fim de semana estou bem ansiosa para nao fazer nada, sabe? Sentar a bunda no sofa na sexta a noite e so levantar de novo na segunda de manha... hehe
Uma das minhas novas flatmates vai se mudar hoje, entao, vamos ver!


Mas achei essa imagem tao bonita... me inspira a desenhar (apesar de eu ser uma pessima desenhista) e a noticia eh que a obra arrecadou mais de 10 vezes o maior preco previsto. Eh de uma artista Australiana pouco conhecida: Ethel Spowers, que veio para Londres nos anos 1920. Achei inspiradora e resolvi dividir com voces. Espero que gostem. O artigo pode ser lido aqui.


Imagem do proprio artigo.

Bom final de semana e otimo dia das maes pra todas as mamaes queridas (viu tia Sandra?). E em especial pra minha mama e pra minha vozinha que eh a coisa mais fofa desse mundo! :)

6 de abril de 2011

Miró na Tate

Estou bem feliz que a partir do dia 14 de Abril Miró estará na Tate Modern... 


Miró é um dos artistas que eu mais gosto. Tive a oportunidade de ver algumas de suas obras em Barcelona, na Fundação Miró, que, por sinal fica em um prédio bem bacana. O curador da exposição na Tate disse que a exposição apresentará a vertente política na arte de Miró. Acho que vai ser bacana, principalmente porque muitas das obras expostas, nunca foram exibidas no Reino Unido antes. Mas acho que concordo com o crítico desse artigo do Telegraph que ainda não se convenceu da carreira do artista ser apresentada pelo vértice político e ele pergunta: sim, ele viveu períodos turbulentos, mas isso significa que nós temos que considerar sua arte uma interpretação desses períodos? O que há de errado em apreciar a arte puramente pela arte? E é isso que eu acho também. Uma obra de arte não precisa ser engajada. Acho que para uma obra ser considerada de arte, ela precisa apenas nos emocionar. E Miró faz isso divinamente!


Joan Miró: The Ladder of Escape - Tate Modern, de 14 de Abril a 11 de Setembro.

3 de março de 2011

Watercolour

No fim de semana passado, aproveitando que a Alê e a Si estavam aqui, nós fomos à exposição de aquarela no Tate Britain, finalmente. Já tinha dito aqui o quanto eu queria ver essa exposição, pois tinha lido várias reviews falando bem. Posso falar? Não me impressionou tanto... Óbvio que eu gostei dos Turner e de alguns outros, mas no geral, não foi o que eu esperava. 
Aliás, será que criar tanta expectativa em torno de alguma coisa, torna isso automaticamente pior quando você finalmente consegue fazer, ver, etc? 
Depois posto umas fotinhos da temporada da Alê por aqui!

25 de fevereiro de 2011

Volta aos clássicos

Então que depois de um período lendo uns livros bem ruinzinhos - o último bom que li foi Lolita no fim do ano passado - resolvi voltar para os os clássicos e estou lendo Oscar Wilde - The major Works, que inclui "O retrato de Dorian Gray", que eu acho que é a obra mais conhecida de Wilde. Eu já tinha lido a história, em inglês inclusive, quando fazia curso de inglês na Cultura Inglesa. Oscar Wilde é um gênio, estou completamente apaixonada por ele. Sua ironia é tão típica dos ingleses e sua maneira de contar histórias - falando da decadência da alma humana, mas com um tom não tão sério, bem sutilmente - é perfeita. Então, nesse momento cheguei ao retrato de Dorian Gray e óbvio, estou lendo novamente. O personagem Lord Henry, na minha humilde opinião, é o melhor, com frases clássicas e de uma atitude totalmente não politicamente correta, mas ao mesmo tempo tão honesta, que é de tirar o chapéu. E me deu vontade de reproduzir um trecho pra vocês, só pra vocês terem um gostinho e vai que desperta a vontade de ler Oscar Wilde...  


Lord Henry respondendo à Dorian Gray se ele era tão má influência quanto Basil tinha falado:
"There is no such thing as a good influence, Mr Gray. All influence is immoral - immoral from the scientific point of view."
"Why?"
"Because to influence a person is to give him one's own soul. He does not think his natural thoughts, or burn with his natural passions. His virtues are not real to him. His sins, if there are such things as sins, are borrowed. He becomes an echo of some one else's music, an actor of a part that has not been written for him. The aim in life is self-development. To realise one's nature perfectly - that is what each of us is here for." 

12 de fevereiro de 2011

Crise, que crise?

Na quinta aconteceu mais um leilão da Sotheby's e dessa vez a obra de arte a causar surpresa foi um Bacon que estava estimado em £7 ou £9 milhões, mas foi vendido por £15.5 milhões. Os três estudos para um retrato de Lucian Freud (outro artista britânico super famoso) não era exibida desde 1965 e pertencia a uma coleção particular. Engraçado que apenas 4 retratos de Freud pintados por Bacon foram leiloados nos últimos 20 anos. No último leilão, em 2003, o conjunto (também de 3 retratos) foi vendido por £2.2 milhões. Mas desde então, o preço de um Bacon aumentou consideravelmente e em Maio de 2008, um conjunto grande de 3 retratos foi vendido por £44 milhões. Ao que parece, o mercado das obras de Bacon estava meio incerto desde o "credit crunch", mas em 2008 uma de suas obras foi vendida por £14 milhões, então a Sotheby's consideravam de £7 a £9 milhões para esse conjunto leiloado na quinta, uma quantia aceitável. Acho que eles nunca esperavam que fosse atingir os £15 milhões. Como referência, entre as cinco obras mais caras vendidas no ano passado estão: um Picasso, por £68 milhões; uma escultura do Giacometti, por £65 milhões; um vaso chinês, por £51.6 milhões; um Warhol, por £39 milhões e um Turner, por £29.7 milhões.

Se essas obras valem tudo isso já é outra questão, mas se tem gente que paga... Eu tenho uma relação de amor e ódio com o Bacon... eu acho que suas obras são de uma expressão inconfundível e que ele consegue passar exatamente o que quer através delas. O problema é o que ele passa... para mim, é um medo danado! hahaha

Dentre as obras mais caras vendidas o ano passado, acho que a única que não merece nem metade do preço que conseguiu é o Warhol. Não sou nem um pouco fã dele e não consigo entender seu sucesso, mas de novo... quem sou eu pra falar qualquer coisa, né? hehehe



Artigos daqui, daqui e daqui.

8 de fevereiro de 2011

Sem novidades

Geeeente, eu tinha planejado um fim de semana cultural, com ida ao Tate Britain para ver a exposição de Aquarela que está tendo lá (aguardem que ainda vou!!), mas cheguei na casa do namorado na sexta e ele estava de cama, com uma gripe horrível... Passamos o fim de semana em casa, assistindo crappy films e comendo (porque né, gripe é a melhor desculpa pra sentar a bunda no sofá e encher a cara de comida!). Mas o bom é que no domingo me deu um siricutico e eu fui pegar comida pro almoço num restaurante brasileiro que tem ali perto da casa dele chamado Raízes. A gente sempre passa lá de ônibus, indo pro Spitalfields market e eu sempre falo que a gente precisa experimentar! Então domingo foi o dia ideal! Me esbaldei com uma porção de mandioca frita e bobó de palmito (sim, tinha bobó de camarão, mas eu AMO palmito, fazer o que?) e ele pediu peito de frango empanado com creme de milho que estava simplesmente divino!


No mais, estou tentando aprender photoshop e uma das minhas colegas de curso, me deu a dica desse site que tem milhares de tutoriais. Você tem que pagar, mas achei o preço bem honesto pela quantidade de tutoriais que tem e as explicações são muito boas. Estou tentando fazer o máximo de tutoriais que consigo e me sentindo muito high tech! hahaha - E além de aprender, ocupo a mente, certo??? Fica a dica ;)

20 de janeiro de 2011

Light graffiti

O artista galês Michael Bosanko usa "tochas" (por falta de palavra melhor) coloridas e uma câmera digital que fica com o shutter (não sei como se fala isso em português, sorry) aberto em longa exposição para criar arte. É como se fossem desenhos ou grafites de luz e ele tira fotos desses desenhos. Achei super legal!! O efeito é alcançado através do desenho das imagens enquanto a camera fica em uma exposição que pode durar de 10 segundos a quase uma hora. O artista diz: "Eu uso minhas tochas como um artista usaria o pincel".  Baseado em Cardiff, o artista desenha a maioria da sua arte em espaços urbanos vazios durante a noite, de cidades como Newport e sua própria cidade ou em paisagens mais isoladas como os montes de Brecon Beacons. Suas criações e seu talento já foi usado em várias propagandas daqui, como na campanha da Talk Talk. 


Para ver as imagens, clique aqui. Vale a pena!

2 de dezembro de 2010

Frio II e divagações

A pergunta inicial desse artigo do Guardian é se os holandeses do século XVII poderiam ter "curtido" o frio tanto quanto parecem estar "curtindo" nas pinturas de Hendrick Avercamp (1585 - 1634). Imaginem, sem aquecimento a gás (só através de lareiras), sem roupas modernas contra o frio... olha, não sei como eles faziam! Eu aqui, que tenho aquecimento em casa (que não serve de muita coisa quando as janelas não são duplas, mas enfim...), tenho roupas quentes pra sair na rua e chuveiro com água quentinha, fico imaginando como seria a vida nessa época... 


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Outra notícia que saiu já faz uns dias no Guardian foi que um senhor apareceu na Fundação Picasso com 271 pinturas dizendo que seriam originais do pintor. Imediatamente, vários estudiosos, analistas, conhecedores e, obviamente, o filho do pintor, se reuniram para discutir a veracidade de tal informação e parece que algumas das pinturas, tinha um sistema de catalogação conhecido apenas pelo pintor. Ou seja, eram verdadeiras. Agora, a dúvida paira sobre a versão dada pelo senhor: de que Picasso teria dado as pinturas para ele como pagamento pelos serviços/consertos que fez em sua casa. Até aí, nada demais. Porém, o filho diz que seu pai sempre autografava as pinturas que dava para pessoas e essas não tinham nada. O senhor disse que foi porque quem as deu para ele, foi a mulher do pintor. Mas o filho não acredita que ela teria feito isso. Então, fica a pergunta: como que esse senhor de aproximadamente 70 anos tem mais de 200 pinturas originais e inéditas de Picasso, o maior pintor do século XX? 


Quem quiser ler a notícia (em inglês): aqui. 


Enfim... post totalmente divagação sobre coisas que me fizeram pensar... hehehe

17 de novembro de 2010

Louvre

Li na UOL que o Museu do Louvre, em Paris, "está fazendo uma campanha sem precedentes" para adquirir uma obra do artista alemão Lucas Cranach, de 1531. A obra é avaliada em 4 milhões de euros e o museu tem apenas 3 milhões no momento e teme que se não adquirir a obra até janeiro, ela possa ir para mãos de colecionadores particulares e nunca mais ser mostrada ao público ou até sair da Europa. Eu, particularmente, não vejo muitas coisas especiais na obra. Ela é, supostamente, uma versão irônica do tema renascentista das três graças. Sim, é sensual e tem um quê de ironia, mas além disso... não vejo muito. Veja bem, não sou nenhuma expert e a minha opinião é baseada simplesmente na minha empatia pela obra, que por sinal, eu vi apenas pela internet (o que não pode ser base pra opinião séria de ninguém!). 
Na reportagem, o jornalista cita um post de um leitor do jornal Le Figaro, que diz: "Sarkozy ou Bettencourt, da L'Oreal, deveriam comprá-lo e doá-lo ao Louvre, para que os milhões de visitantes possam pensar neles enquanto passam por ele", se referindo ao presidente (cujo novo avião presidencial custou 84 milhões de euros) e à Liliane Bettencourt, herdeira da L'Oreal e mulher mais rica da França, que teve seu nome ligado recentemente à escândalos de fraude. 
Me pergunto, será que o leitor não está certo? Porque os contribuintes, que já pagam o suficiente, devem doar dinheiro para uma obra? Mas acho que como é público, todo mundo será beneficiado, devemos sim ajudar. Mas que essas pessoas com muito dinheiro deveriam ajudar com muito mais dinheiro do que nós, isso é verdade...
Mas o que eu acho de verdade é que está todo mundo cansado de tanta corrupção e canalhice dessas pessoas, mas isso é assunto pra outro post...


Uma das pinturas sobre o tema: Three Graces, Raphael. Daqui.



Obra de Cranach.

15 de novembro de 2010

Tesouros de Budapeste

Sábado a gente encontrou uns amigos que eu fiz em um dos cursos que participei no ano passado aqui em Londres. A gente foi à exposição Treasures from Budapest, na Royal Academy of Arts. Pelo título, eu tinha achado que era uma exposição sobre artistas do leste europeu, mas na verdade, a coleção reúne obras que estão nos museus em Budapeste. E tem desde alguns artistas não muito conhecidos (pelo menos por mim) até obras de Raphael, Michelangelo e até Picasso. A exposição é enorme e demoramos umas 3 horas pra ver tudo. Mas vale a pena. A exposição vai até dia 12 de dezembro, então, se você está em Londres e se interessar, corra. Não reservamos tickets com antecedência, estava bem tranquilo. Fora que aquela área da RA é uma delícia, pertinho de Piccadilly Circus, da Fortnum & Mason (que já falei aqui), enfim, dá pra ver um monte de coisas andando por ali. 


Esterhazy Madonna, Raphael - 1507-08.